sábado, 27 de março de 2010


...palavras na garganta.
Sinto uma enorme vontade de solta-las.
Sei o quanto elas são capazes de ferir, de quebrar as vidraças do bom senso.
Masco-as como que estivesse ruminando a realidade.
Abafo-as como se abafa a chama da vela, quando a energia volta.
Viver na esperança, é algo que todos fazem.
Porem, a porcentagem dos que vivem em esperanças infundadas, deve ser enorme.
Nunca preocupou-me muito, o quanto as pessoas lutam para sobreviver ao caos que é sonhar, nunca dediquei tempo para analisar os sentimentos daqueles que estão distantes, mas sempre gastei muitos neurônios matutando nos sentimentos de pessoas que, em algum momento, estiveram próximas, até demais...
Mesmo sem chegar a nenhuma conclusão, pois a mente alheia é lacrada, sempre tentei entender o motivo de um afastamento, criando na minha cabeça, um tabuleiro cheio de opções de jogadas.
Pena que essa partida nunca acaba bem, ou dá empate, ou sou derrotado.
As pessoas são como as estações...
Cumprem seus ciclos e simplesmente somem, vão para outro hemisfério.
Quando são verões, nos trazem o calor, a alegria, nos tornam felizes como crianças na praia...
Quando são outonos, deixam folhas espalhadas, que não conseguimos juntar, o vento teima em espalha-las...
Quando são invernos, trazem os sabores do chocolate quente, o aconchego dos cobertores, e a quantidade de roupas espalhadas no chão, a cada encontro, são a prova que nem o frio separa os corpos ardentes...
Quando são primavera, os perfumes e o encanto das flores, são espelhados no estado de espirito...
Mas, a natureza não permite que as estações encontrem-se, mesmo dentro de nós.
Se hoje somos norte, amanhã seremos sul.
No frio, vamos implorar calor, e vice versa...
Reclamaremos dos ventos do outono e do pólem da primavera...
Mas, basta mudar a estação, e a saudade chega.
As pessoas são assim e não adianta querer contentá-las.
Somos feitos de descontentamento...
Olhamos o espelho e a face que vemos, não nos agrada.
Olhamos a identidade e torcemos o nariz para o nome que lemos.
Olhamos ao redor, e sempre achamos algo que incomoda.
Mas, e se fosse diferente ?
Traríamos na mente, essa pessoa que nos faz sofrer ?
Faria sentido se fosse outra ?
Valeria a pena ter aquele rosto bonito, com aquela mente vazia ?
Estaríamos melhores em outro lugar ?
Sei lá...
As palavras continuam aqui na garganta.
São perguntas e mais perguntas...
Duvidas sobre duvidas.
Saudade...
... do outono da minha vida. (ponto)

2 comentários:

  1. Que bem isso. Especialmente a parte que diz que basta mudar a estação e a saudade chega...
    Que coisa, Emílio, eu tenho mil coisas da facul pra ler, então pára de escrever, Criatura, senão tenho que vir aqui te ler. Poxa, assim não pode, assim não dá!
    Tá bem, confesso... prefiro muito mais teus textos. Ainda mais quando eles terminam com
    "ponto" e eu entendo tudo.
    Abraços, amigooo

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  2. ...eu sei que entendes, e muito!
    0brigado por me preferir, rsrs !!!
    Infelizmente, assim, como a sentença em relação ao ponto, eu tambem estou à esquerda do meu "ponto"...
    Abraço querida amiga...

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