
... um dia achei que viver fosse fácil em qualquer lugar.
Grande, imenso, enorme, descomunal, ininarravel erro.
O corpo, a mente, nada se adapta facilmente ao novo...
A maneira que as pessoas se comunicam...
O modo de vida...
As atitudes, de modo geral.
São extremamente diferentes e me geram uma inquietude.
Hoje alguem descobriu o defeito do meu HD.
Travou em um papel de parede...
E o pior que eu adoro a paisagem que está lá.
Fica essa quantidade de novas informações querendo entrar, não dá, não tenho espaço na memória, e não quero deletar nada...
Tá na hora de plugar meu estabilizador em outra tomada, distante dessa "irrealidade" que me encontro...
Tenho passagens em minha memória, que são construtivas, e outras nem tanto...
Coisas hilárias e coisas tristes.
Tipo, a primeira vez que enfrentei uma cidade realmente grande...
Ora bolas, onde poderia ser ?????????
Claro, óbvio...
No auge de meus 16 aninhos, São Paulo...
Emprego de ofice-boy....
Báh, quando me falam em cusco perdido em tiroteio, acho até graça...
Andava de metro, carregando próteses, de um hospital para o outro.
Legal era quando aquelas coisas rasgavam o papel que as embalavam.
Eram hilários os olhares...
Um braço, uma perna, um pé ou uma mão...hahaha
Como nunca fui santo, as vezes, deixava que a porta do metro trancasse com um troço daqueles, como se fosse uma guilhotina, só pra ver alguem gritar, antes de perceber a sacanagem...
Que horror...
Ainda lá, depois desse emprego, trabalhei de auxiliar de garçom, em um restaurante finissimo.
Le Tambuile... chiq que dói...
Como engordei... báh
Eramos os primeiros a almoçar, e os ultimos...hehe
Eramos os primeiros a jantar, e tambem os ultimos...
Aquele armário, na passada da cozinha, vivía cheio de pães de queijo, travessas de carnes e pratos de sobremesa...
Graças a Deus, o seu Alberto, maitre, era uma anta...
Infelizmente, por forças do destino, acabei voltando para Rio Grande...
Narrei essa passagem apenas para ilustrar uma fase em que era facil a adaptação, pois na cabeça, não havia o tal "papel de parede"...
Depois de um periodo de confusão, casamento, descasamento, recasamento (rsrsrs), acabei conhecendo um lugar encantador e acolhedor...
Jaguarão, lugar que virou parte de mim....
Quantas coisas boas, quantas alegrias, quanto tempo produzindo, fazendo algo com prazer...
Mas derrepente... bum, outro casamento lá na estratosfera...
Cair ? Eu heim...
Caí sim, mas em pé...
Passam dias, o calendario vai cumprindo sua missão...
Os fantasmas nos rondam sempre, isso é fato.
Derrepente Rio Grande...
Eba, minha terrinha outra vez.
O marzão, ali, por toda volta, o Cassino.
Aquelas noites londrinas.
Aquelas noites...
Familia distante, tudo distante...
Até quem está perto, está distante.
E isso é o que mais incomoda.
Nova tentativa.
Nordeste...
Mas não contava com esse detalhe...
Nunca, em minhas incursões pelo destino, eu leva algum papel de parede...
Minha tela sempre era branca...
Mas dessa vez, trouxe uma bagagem enorme, uma saudade...
Saudade, a pior das dores...
Me dói o pé, me ressecam os olhos, meu ouvido sangra diariamente, mas nada disso machuca mais que essa saudade infame...
Por isso que nada dá certo...
Tenho saudade de tudo que não tenho aqui...
De todos que não tenho.
Do papel de parede...
Que por mais presente que esteja, ainda assim, é apenas um papel de parede.
Não existem lamurias aqui, né ???
papeis de parede... existem tantos mas é sempre o mesmo que fica lá, estampadão.. o primeiro que a gente vê ao iniciar e o último que vê ao fazer logoff
ResponderExcluirheim, Emílio, será que os leitores dos nossos blogs vão acreditar que as nossas escrituras sobre papel de parede foram um mero acaso? rsrs
será ????
ResponderExcluirhahaha...
inventão tantas coisas e nada de chegar o papel de parede tri dimencional...
já pensou ???